INCA estima 77.920 novos casos anuais no Brasil entre 2026 e 2028. Em Uberaba, Hospital Hélio Angotti registrou 871 novos casos entre 2020 e 2024. Campanha reforça a importância do acompanhamento médico, da saúde emocional e do diagnóstico oportuno.
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O silêncio masculino também representa um desafio para a saúde pública
O medo de receber um diagnóstico de câncer, o constrangimento relacionado aos exames e a dificuldade de falar sobre sentimentos ainda afastam muitos homens dos serviços de saúde. Associadas a padrões tradicionais de masculinidade, essas barreiras podem atrasar a investigação de doenças e comprometer o início oportuno do tratamento.
A dimensão do problema aparece nos números nacionais. Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e repercutidos pela Agência Brasil em 1º de novembro de 2026, aproximadamente 18,5 mil homens morreram em decorrência do câncer de próstata no Brasil durante 2025, uma média de 50 óbitos por dia. O número representa crescimento de aproximadamente 20% em relação aos registros de dez anos antes.
O cenário ganha atenção durante o Novembro Azul, movimento internacional dedicado à conscientização sobre a saúde masculina, especialmente à prevenção e ao diagnóstico do câncer de próstata.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa brasileira para o triênio 2026–2028 é de 77.920 novos casos da doença por ano. Excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata representa 30,5% dos casos de câncer entre os homens, sendo o tipo mais incidente nessa população.
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Diagnóstico pode ocorrer antes dos primeiros sintomas
Um dos aspectos mais preocupantes da doença é sua evolução frequentemente silenciosa nas fases iniciais. Muitos pacientes não apresentam alterações perceptíveis, o que pode dificultar a identificação do tumor sem investigação clínica.
A experiência do artista plástico brasileiro Romero Britto ilustra essa situação. Diagnosticado em 2020, após alterações identificadas em exames de rotina, ele revelou publicamente sua experiência em 2026, depois de manter o diagnóstico em sigilo por aproximadamente seis anos.
O artista passou por cirurgia para retirada da próstata e informou que a doença está em remissão há dois anos. Seu relato demonstra que a investigação médica pode identificar alterações mesmo quando não existem sintomas evidentes.
Entre os sinais que merecem avaliação médica estão:
Dificuldade para iniciar ou concluir a micção;
Jato urinário fraco ou interrompido;
Necessidade de urinar várias vezes, especialmente durante a noite;
Presença de sangue na urina ou no sêmen;
Dor na região pélvica ou em outras áreas, dependendo da evolução da doença.
Essas manifestações não significam necessariamente câncer, pois também podem estar relacionadas a condições benignas da próstata e do sistema urinário. A avaliação profissional é fundamental para identificar a causa.
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PSA e toque retal: exames exigem orientação individualizada
A investigação do câncer de próstata pode envolver o exame de PSA, realizado por meio de coleta de sangue, e o toque retal, utilizado para avaliar características da glândula prostática.
Entretanto, existe uma diferença importante entre investigar sintomas ou alterações clínicas e realizar rastreamento sistemático em homens sem sinais da doença.
O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional indiscriminado, pois os exames podem produzir resultados falso-positivos e levar a procedimentos desnecessários, além de identificar tumores que talvez nunca causassem problemas durante a vida do paciente.
A orientação é que cada homem converse com um profissional de saúde sobre os benefícios, riscos e limitações dos exames, considerando idade, histórico familiar, condições individuais e fatores de risco.
A Sociedade Brasileira de Urologia, por sua vez, recomenda avaliação individualizada a partir dos 50 anos e aos 45 anos para homens negros, obesos ou com histórico familiar da doença. Essa orientação deve ser compreendida como recomendação da entidade médica, e não como obrigação universal de realização anual de exames.
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Uberaba intensifica ações do Novembro Azul
Em Uberaba, a campanha Novembro Azul teve início em 1º de novembro de 2026, com mobilização da Secretaria Municipal de Saúde e atividades voltadas ao cuidado integral da população masculina.
A programação divulgada para a rede municipal contempla consultas e avaliações individuais, testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites virais, aferição da pressão arterial, verificação da glicemia, avaliação antropométrica, atualização da caderneta de vacinação e orientações sobre o câncer de próstata.
As atividades estão previstas para as Unidades de Saúde da Família (USFs), Unidades Matriciais de Saúde (UMSs) e demais equipamentos da rede municipal. A solicitação de PSA deverá ocorrer conforme avaliação e orientação dos profissionais de saúde.
Os dados locais também demonstram a dimensão da atenção necessária ao problema.
Entre 2020 e 2024, o Hospital Hélio Angotti registrou 871 novos casos de câncer de próstata. O número corresponde aos registros da instituição, referência regional em oncologia, e não deve ser interpretado como o total de casos ocorridos em Uberaba no período.
O acompanhamento e os encaminhamentos devem ser realizados pela rede de saúde, conforme a necessidade de cada paciente.
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Saúde masculina não se resume à próstata
O Novembro Azul também abre espaço para uma discussão mais ampla: a relação entre comportamento, saúde emocional e prevenção.
Frases reproduzidas socialmente desde a infância, como “homem não chora” e “tem que aguentar”, podem contribuir para a construção de uma ideia de masculinidade associada à resistência permanente e à dificuldade de demonstrar vulnerabilidade.
Diante de um diagnóstico grave, essa cobrança pode dificultar a procura por apoio psicológico, o compartilhamento de preocupações e a adaptação às mudanças provocadas pelo tratamento.
O caso de Romero Britto também chama atenção para a dimensão pessoal de enfrentar uma doença, embora cada paciente tenha uma experiência particular e não exista uma única maneira de lidar com o diagnóstico.
O acompanhamento psicológico, a rede de apoio familiar, a preservação de atividades significativas e o diálogo com profissionais de saúde podem contribuir para o bem-estar durante o tratamento. Medo, tristeza e insegurança não representam fraqueza e não devem ser tratados como sentimentos que o paciente precisa esconder.
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem também contempla a promoção da saúde, a prevenção de doenças crônicas, a saúde mental, a prevenção de violências e acidentes e o cuidado com a saúde sexual e reprodutiva.
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Prevenção exige informação, acesso e continuidade do cuidado
O enfrentamento do câncer de próstata depende de informação confiável, acesso aos serviços de saúde, investigação adequada e tratamento oportuno.
A adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso e não utilização de produtos derivados do tabaco, contribui para a promoção da saúde e a redução de riscos de diferentes doenças.
Mais do que concentrar a atenção em um único mês, o Novembro Azul propõe uma mudança de comportamento: incorporar o cuidado com a saúde à rotina masculina.
Em Uberaba, a mobilização da rede municipal representa uma oportunidade para aproximar os homens das unidades de saúde, ampliar o acesso às orientações e fortalecer o acompanhamento preventivo e assistencial.
Cuidar da saúde não é demonstração de fraqueza. É uma decisão que pode fazer diferença na qualidade e na expectativa de vida.
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Informações de serviço — Uberaba
Campanha: Novembro Azul 2026.
Rede de atendimento: USFs, UMSs e demais equipamentos municipais.
Serviços divulgados: consultas, avaliações individuais, testes rápidos, aferição de pressão, verificação de glicemia, vacinação e orientações.
PSA: solicitação conforme avaliação profissional.
Acesso: procurar a unidade de saúde de referência.
O Jornal DM News adota comunicação responsável e ética, reforçando políticas públicas e o interesse coletivo.
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