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DMHC News | Hidrogênio verde no Brasil: projetos avançam, mas gargalo elétrico ameaça competitividade

Por REDAÇÃO do Jornal DM News | Siga nas Redes Sociais





O hidrogênio verde saiu dos laboratórios e chegou às mesas de decisão dos grandes financiadores globais. No Brasil, dois projetos de grande escala — HIF Global no Porto do Açu (RJ) e Morro Pintado em Areia Branca (RN) — somam bilhões de reais em investimentos anunciados. No entanto, um gargalo estrutural ameaça a competitividade do hidrogênio brasileiro: a capacidade de transmissão de energia elétrica. O curtailment — corte forçado de geração renovável — atingiu 9,3% em 2024, e a expansão da rede não acompanha o ritmo dos projetos industriais.



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HIF Global no Porto do Açu: A empresa anunciou que planeja reduzir significativamente o capex de sua planta, adotando uma abordagem modular e faseada. O custo original era de US4 bilhões  para uma instalação  de 800.000 toneladas - metade por ano. hoje cada modulo custa menos de US1 bilhão , e a empresa segue otimizando. A logica: instalar quatro módulos conforme a demanda se consolida, reduzindo risco financeiro e alinhando expansão á contratação real de clinetes. 
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Morro Pintado (RN): Durante a Hannover Messe 2026, foi anunciado o projeto no Rio Grande do Norte, com investimento de € 2 bilhões (cerca de R$ 12 bilhões). O complexo terá 1.400 MW em fontes eólica e solar, produzindo 80 mil toneladas anuais de hidrogênio de baixo carbono e derivados como amônia verde, e-metanol e ureia verde (438 mil toneladas anuais). Inclui também terminal portuário dedicado.


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O gargalo elétrico: O Brasil ocupa posição rara: irradiação solar elevada, ventos consistentes e matriz limpa. Mas isso não é condição suficiente. Documentos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estimam que 70% a 80% do custo do hidrogênio eletrolítico é determinado pelo preço da eletricidade entregue.


Os números do curtailment são preocupantes:

AnoCurtailment (% do potencial renovável)MW médios cortados
20220,5%46 MW
20233,6%389 MW
20249,3%1.447 MW


O Ministério de Minas e Energia (MME) foi direto em fevereiro de 2026: o curtailment tende a se tornar estrutural e predominante até 2029.


Por que isso encarece o hidrogênio? O eletrolisador precisa de alta utilização para diluir seu custo de capital. Energia curta, imprevisível ou juridicamente incerta corrói a competitividade. A EPE mapeou 11 projetos com 45,4 GW de interesse no Nordeste, mas a margem agregada de conexão varia entre 3,9 GW e 8,35 GW — uma lacuna relevante entre narrativa e capacidade real.


Uberaba no contexto: Embora a cidade não seja sede desses grandes projetos, o debate sobre o gargalo elétrico impacta diretamente a competitividade industrial do Triângulo Mineiro. A região tem forte vocação para energia renovável (usinas solares e parques eólicos em cidades vizinhas) e pode ser afetada pela mesma limitação de transmissão. Para Uberaba, que busca atrair investimentos em hidrogênio verde e indústrias eletrointensivas, a expansão da rede de transmissão e a redução do curtailment são questões de sobrevivência econômica.


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O poder público brasileiro identificou o problema e vem atuando:

  • Leilão de transmissão: ANEEL colocou em consulta edital com previsão de R$ 11,3 bilhões, 2.069 km de novas linhas e 13.564 MVA em capacidade de transformação.

  • Compensação por curtailment: MME abriu consulta pública em dezembro de 2025 para discutir compensação financeira a geradores afetados por cortes.

  • Marco legal do hidrogênio: Lei 14.948/2024 criou a Política Nacional do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono, com incentivos fiscais de R$ 18,3 bilhões em cinco anos via programa PHBC.

  • Leilão de créditos fiscais: Em fevereiro de 2026, o Ministério da Fazenda realizou workshop para estruturar o primeiro leilão do PHBC, previsto para 2026.


Seis condições para o hidrogênio competitivo no Brasil:

  1. Expansão da rede com prioridade para integração Nordeste–Sudeste

  2. Regulação madura para armazenamento de energia

  3. Previsibilidade sobre compensação de perdas

  4. Visão locacional para o hidrogênio (ponto de conexão é crítico)

  5. Distinção clara entre projetos demonstrativos e industriais

  6. Honestidade analítica: abundância natural não é infraestrutura entregue



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O Brasil não precisa mais provar que tem recurso renovável. Precisa provar que consegue organizar regras, selecionar bons projetos, estimular compradores e reduzir riscos para quem investe. Hidrogênio barato não nasce de megawatt nominalmente barato. Nasce de megawatt entregue, previsível e utilizável na intensidade que o eletrolisador exige. Sem rede, não há hidrogênio competitivo.


O Jornal DM News adota comunicação responsável e ética, reforçando políticas públicas e o interesse coletivo.

 


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