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DMHC News | Shopping Uberaba e os desafios do consumo na era da exclusividade

 

Por REDAÇÃO do Jornal DM News | Siga nas Redes Sociais

Investimento de R$ 70 milhões amplia o espaço, mas reforça o debate sobre inclusão social e papel do setor varejista em Uberaba

 


 

O anúncio da quinta expansão do Shopping Uberaba, comandado pela administradora Alqia, movimentou o setor empresarial local. Com aporte de R$ 70 milhões e previsão de conclusão para setembro do próximo ano, a obra trará 31 novas lojas, duas megalojas e dois restaurantes de alto padrão, como Outback e Coco Bambu. O crescimento reforça a posição do centro de compras como polo regional de consumo, mas também acende alertas sobre sua função social e econômica.

 


 


Uberaba apresenta índices promissores: renda per capita 21% acima da média nacional, grau de formalização do emprego 72% superior e setor de serviços respondendo por 50% do PIB local. Esses números confirmam o potencial de consumo, justificando o investimento da Alqia. Porém, especialistas alertam que o crescimento físico do shopping nem sempre se traduz em maior acesso ou movimentação econômica para todas as classes sociais.

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba (Aciu) têm o dever de defender os interesses dos comerciantes, mas também de cobrar políticas de atração de consumidores de diferentes faixas de renda. A missão institucional dessas entidades não se limita à defesa de lojistas, mas também à promoção de um ecossistema comercial equilibrado, competitivo e inclusivo.

 


 


A psicologia do consumo aponta para um dilema: os shoppings, outrora símbolos de democratização do lazer e do comércio, hoje se transformam em espaços de segmentação social. O “rolezinho” — movimento juvenil que marcou a década passada — redefiniu o modo como esses ambientes são vistos, criando barreiras invisíveis que afastam a classe média e populações periféricas. Essa mudança gera um fenômeno de exclusão simbólica: colaboradores que trabalham dentro do shopping muitas vezes não conseguem consumir o que vendem, reforçando a ideia de “ilha de luxo” cercada por desigualdades.

 


 


O Shopping Uberaba, como empreendimento, tem o dever de ser mais que um espaço de vendas. Seu papel é articular consumo, convivência e desenvolvimento urbano. A ausência de promoções expressivas e a dificuldade de criar atrativos para a classe média enfraquecem essa missão. A longo prazo, o risco é o esvaziamento do espaço como lugar plural e democrático, consolidando-o como vitrine de exclusividade.

Se de um lado os lojistas são orientados por especialistas a inovar e estreitar vínculos com o cliente, de outro, o modelo de expansão parece caminhar na direção oposta: privilegia marcas aspiracionais em detrimento da acessibilidade. É nesse ponto que se torna essencial o papel da CDL e da Aciu, mediando os interesses econômicos e sociais para que o setor varejista de Uberaba não se feche em si mesmo.

 


 


Uberaba já provou ter potencial de consumo acima da média nacional. O desafio, agora, é transformar esse capital em inclusão de mercado, garantindo que o Shopping seja não apenas um espaço de exclusividade, mas também de pertencimento social.

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