Intermitência no abastecimento durante período chuvoso leva vereador a acionar o Ministério Público e expõe limites da gestão operacional.
Por REDAÇÃO do Jornal DM News |
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Uberaba
vive um paradoxo difícil de explicar ao cidadão comum. Em um cenário de chuvas
frequentes, rios cheios e percepção generalizada de fartura hídrica, o
município enfrenta sucessivos fechamentos de reservatórios e interrupções no
fornecimento de água. A situação, recorrente nas últimas semanas, trouxe a
Companhia Operacional de Desenvolvimento, Saneamento e Ações Urbanas (Codau)
para o centro do debate público.
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As
justificativas apresentadas pela autarquia variam: aumento do consumo em razão
do calor, turbidez da água em períodos chuvosos, falhas no fornecimento de
energia e limitações operacionais das Estações de Tratamento de Água (ETAs).
Embora tecnicamente possíveis, tais explicações passaram a ser questionadas
diante da frequência das interrupções e da ausência de um fato novo relevante
que diferencie o atual período chuvoso de anos anteriores.
Diante
desse quadro, o vereador Túlio Micheli (PSDB) protocolou representação formal
junto ao Ministério Público, solicitando a apuração de possíveis
irregularidades na prestação do serviço, a abertura de inquérito civil, a
requisição de documentos técnicos e financeiros e a realização de auditoria
independente. O parlamentar sustenta que a crise não decorre de escassez
hídrica, mas de limitações estruturais, perdas elevadas na distribuição e
falhas de gestão.
Dados
oficiais indicam que cerca de um terço da água tratada pela Codau se perde ao
longo da rede. A prática recorrente de abrir e fechar reservatórios, além de
não resolver o problema, tende a agravá-lo, aumentando a pressão nas tubulações
e provocando vazamentos em diferentes pontos da cidade — situação visível nas
constantes frentes de manutenção espalhadas pelos bairros.
No campo do
consumo, a insatisfação cresce. Mesmo com a intermitência no abastecimento, não
houve revisão automática das tarifas, o que motivou pedidos para que o
Ministério Público também avalie a proteção aos direitos do consumidor. Soma-se
a isso o desgaste provocado pela cobrança elevada vinculada ao chamado
“cadastro de exceção”, cuja legalidade e proporcionalidade passaram a ser
questionadas por órgãos de defesa do consumidor.
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Ouvido
sobre o tema, o presidente da Codau, Rui Ramos, atribuiu o cenário a uma
combinação de fatores técnicos. Segundo ele, os reservatórios chegaram ao
período chuvoso com níveis baixos, e a capacidade das três ETAs impede uma
recomposição rápida do volume tratado. O gestor também citou o crescimento
urbano, a expansão de loteamentos e o aumento do consumo, além de alertar para
um contexto mais amplo de crise climática e previsão de temperaturas elevadas
em 2026.
Paralelamente,
a Codau anunciou medidas emergenciais, como a assinatura de contrato para obras
de captação no Rio Grande e a perfuração de novos poços profundos. A autarquia
também se comprometeu a prestar esclarecimentos ao Ministério Público sobre o
cadastro de exceção e a realizar plantões presenciais para atender consumidores
com cobranças acima da média.
O episódio
revela um desafio maior. A Codau detém competência exclusiva sobre o
abastecimento de água, esgotamento sanitário e, desde 2018, também sobre
drenagem urbana e resíduos sólidos. Trata-se de um modelo de responsabilidade
ampliada, que exige planejamento de longo prazo, investimentos contínuos e
transparência plena. Em um setor sem concorrência direta, a eficiência e a
credibilidade institucional tornam-se ainda mais decisivas.
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Mais do que
apontar culpados, o momento exige reflexão estratégica. A segurança hídrica não
pode depender de soluções improvisadas ou de explicações fragmentadas.
Transformar o saneamento em política de Estado, e não apenas de governo, é
condição essencial para evitar que a abundância natural conviva,
paradoxalmente, com a escassez na torneira.
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