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Editorial | Câmara em Ação: serviço à população ou palanque institucional?



O "Câmara em Ação" realizou na última segunda-feira (18) mais uma edição no centro de Uberaba. A proposta é louvável: levar serviços públicos gratuitos à população, em parceria com a Prefeitura. Vacinas contra Influenza, testes rápidos para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), aferição de pressão arterial, testes de glicemia, distribuição de preservativos e orientação sobre saúde bucal foram oferecidos gratuitamente no Paço Municipal e na praça Rui Barbosa. Os números impressionam: 258 doses aplicadas, 265 aferições de pressão, 254 testes de glicemia, 36 testes rápidos para ISTs. Ação concreta, que beneficiou centenas de uberabenses.

Mas, ao mesmo tempo, ecos de insatisfação também marcaram o evento. E não podem ser ignorados por este jornal.

 

Enquanto a equipe de saúde trabalhava, cidadãos que ali estavam questionaram em voz alta: onde estavam os vereadores? Onde estavam os assessores parlamentares para ouvir queixas e transformá-las em projetos de lei? Para alguns dos presentes, o "Câmara em Ação" soou como ação isolada, sem continuidade — uma "usurpação de serviços singulares" para, nas palavras de um frequentador, "capitanear carisma político".


O DMHC News não endossa acusações anônimas. Não temos provas de que o evento tenha sido concebido com motivação eleitoreira. No entanto, temos o dever ético de dar voz à percepção de parte da sociedade. Quando cidadãos que dedicaram seu tempo para receber atendimento saem do local com a sensação de que foram usados como figurantes em um palanque disfarçado, algo está errado — ainda que o serviço prestado tenha sido de qualidade.


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A Câmara Municipal de Uberaba tem 21 vereadores, cada um com gabinete, assessores e verba de representação. O cidadão tem o direito de esperar que, em um evento intitulado "Câmara em Ação", o foco não esteja apenas na prestação de serviços de saúde — que, aliás, são atribuição típica do Executivo —, mas também na escuta ativa das demandas da população e no encaminhamento dessas demandas para projetos de lei, fiscalização e proposições legislativas.


No entanto, relatos colhidos pelo DMHC News indicam que a presença de vereadores e assessores foi discreta, quando não ausente. A pergunta que fica é: se a Câmara promove um evento em seu próprio nome, onde está o Legislativo? Cadê os representantes eleitos para ouvir quem ali estava?


A população não quer apenas vacina e teste de glicemia — quer ser ouvida. Quer que suas queixas sobre asfalto, iluminação, segurança, saúde e educação se transformem em ação parlamentar. Um evento que se propõe a "estar em ação" precisa, antes de tudo, ouvir.


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Diante do exposto, o Jornal DM News defende:

  1. Transparência total – Que a Câmara Municipal divulgue os custos do evento (estrutura, materiais, recursos humanos) e a origem dos recursos utilizados.

  2. Periodicidade definida – Que o "Câmara em Ação" não seja um evento pontual e isolado, mas uma política itinerante com calendário anual, alcançando bairros periféricos e distritos.

  3. Presença efetiva dos vereadores – Que os 19 parlamentares, ou ao menos seus assessores, estejam presentes nos próximos eventos para ouvir demandas e registrá-las oficialmente.

  4. Separação entre serviço público e promoção pessoal – Que a divulgação do evento não explore a imagem de vereadores ou do presidente da Casa como "protagonistas", mas sim o serviço prestado. O nome "Câmara em Ação" deve representar a instituição, não indivíduos.

  5. Relatório pós-evento – Que seja encaminhado à população, por meio dos canais oficiais, um relatório com as demandas coletadas e o encaminhamento dado a cada uma delas.


O "Câmara em Ação" tem potencial para ser uma excelente política pública de aproximação entre Legislativo e sociedade. Vacinas e testes salvam vidas. Mas salvar a credibilidade da Câmara também exige escuta, presença e transparência. Serviço público não pode ser confundido com marketing político. O DM News cobra da Câmara Municipal e da Prefeitura: que o próximo "Câmara em Ação" não seja apenas um mutirão de saúde, mas um verdadeiro mutirão de cidadania. Com vereadores presentes, ouvindo e agindo. É o mínimo que Uberaba merece.



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Jornal DM News – A opinião institucional do jornal
Uberaba, 28 de maio de 2026

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