Mas, ao mesmo tempo, ecos de insatisfação também marcaram o evento. E não podem ser ignorados por este jornal.
Enquanto a equipe de saúde trabalhava, cidadãos que ali estavam questionaram em voz alta: onde estavam os vereadores? Onde estavam os assessores parlamentares para ouvir queixas e transformá-las em projetos de lei? Para alguns dos presentes, o "Câmara em Ação" soou como ação isolada, sem continuidade — uma "usurpação de serviços singulares" para, nas palavras de um frequentador, "capitanear carisma político".
O DMHC News não endossa acusações anônimas. Não temos provas de que o evento tenha sido concebido com motivação eleitoreira. No entanto, temos o dever ético de dar voz à percepção de parte da sociedade. Quando cidadãos que dedicaram seu tempo para receber atendimento saem do local com a sensação de que foram usados como figurantes em um palanque disfarçado, algo está errado — ainda que o serviço prestado tenha sido de qualidade.
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A Câmara Municipal de Uberaba tem 21 vereadores, cada um com gabinete, assessores e verba de representação. O cidadão tem o direito de esperar que, em um evento intitulado "Câmara em Ação", o foco não esteja apenas na prestação de serviços de saúde — que, aliás, são atribuição típica do Executivo —, mas também na escuta ativa das demandas da população e no encaminhamento dessas demandas para projetos de lei, fiscalização e proposições legislativas.
No entanto, relatos colhidos pelo DMHC News indicam que a presença de vereadores e assessores foi discreta, quando não ausente. A pergunta que fica é: se a Câmara promove um evento em seu próprio nome, onde está o Legislativo? Cadê os representantes eleitos para ouvir quem ali estava?
A população não quer apenas vacina e teste de glicemia — quer ser ouvida. Quer que suas queixas sobre asfalto, iluminação, segurança, saúde e educação se transformem em ação parlamentar. Um evento que se propõe a "estar em ação" precisa, antes de tudo, ouvir.
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Diante do exposto, o Jornal DM News defende:
Transparência total – Que a Câmara Municipal divulgue os custos do evento (estrutura, materiais, recursos humanos) e a origem dos recursos utilizados.
Periodicidade definida – Que o "Câmara em Ação" não seja um evento pontual e isolado, mas uma política itinerante com calendário anual, alcançando bairros periféricos e distritos.
Presença efetiva dos vereadores – Que os 19 parlamentares, ou ao menos seus assessores, estejam presentes nos próximos eventos para ouvir demandas e registrá-las oficialmente.
Separação entre serviço público e promoção pessoal – Que a divulgação do evento não explore a imagem de vereadores ou do presidente da Casa como "protagonistas", mas sim o serviço prestado. O nome "Câmara em Ação" deve representar a instituição, não indivíduos.
Relatório pós-evento – Que seja encaminhado à população, por meio dos canais oficiais, um relatório com as demandas coletadas e o encaminhamento dado a cada uma delas.
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